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| Foto por: Jonas Blanger (https://www.instagram.com/jonasblanger/) |
Hoje ao acordar e te ver aqui, dormindo ao meu lado, tão perto, percebi que não há o que fazer quanto as tuas idas e vindas. Eu te quero perto, sim! E não mais nego. Não consigo e não quero me imaginar sem isso. Sem essa cara cínica de "me desculpa" morrendo de saber que eu não consigo não te desculpar.
Eu me lembrei de todas as minhas tentativas de te mudar e consertar essa bagunça que preenche você e preenche nós. Lembrei de como tudo começou e como era engraçado esconder de todos e aceitar o que eu sentia. Lembrei hoje de quando, pela primeira vez, você se foi... Eu depois disso mudei minha forma de ver as coisas, mudei até a forma de lidar com você e com a desarmonia dessas nossas vidas. Mas, ei... Tudo passa!
Nós, hoje, tentamos devagarinho nos entender bem. Fazemos com que tudo silencie do nosso modo, com que tudo fique ajustado. Eu quero, pelo que ainda há de vir, infinitos frios na barriga, infinitos compassos da nossa ópera invisível e inaudível. Eu quero mais dos nossos silêncios. Eu quero, enquanto der, mais de nós.
Minha paciência é finita, mas fugiria dela infinitas vezes - e fujo quando preciso - para me adequar ao teu recipiente permeado de caos e esvaziá-lo gradativamente, preenchendo-o de amor. Eu fugiria de tudo que me afligisse só para ajustar essa nossa desarmonia. Eu fugiria de tudo só para, mais uma vez, para me adequar a você, para nos adequar a nós.
Luiza Abadia

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