sábado, 20 de outubro de 2018

(Re)Construção

Foto por: Pinterest
    Pra você que me olhou além do físico, que transbordou a minha alma e me fez renascer sem saber: eu sou inteiramente grata. Grata por nunca precisar de máscaras ou calmantes na sua presença. Eu pude ser fúria, pude ser calma. Eu fui livre suficientemente para que em todos os momentos eu pudesse ser eu. Refutei sentir, mas me deixei livre até o momento em que por inteira você pôde me ter. Eu revidei de novo, os planos eram outros... mas quais planos? Antes de tudo só de angústia eu me consumia, de ansiedade me preenchia, mentalmente corria, mas ir a que lugar mesmo eu conseguiria? Fiquei farta, aflita e em desespero. Descobri assim que algo além nos ampara e faz com que tudo siga mesmo sem uma direção propriamente dita. E então de coração aberto, sem resquícios, só pronta pra te receber, mais de mim eu pude ser. Por mim, por você. Mais de mim também sou, agora, após a sua ida. Cogitei talvez um dia me encontrar menos repartida... e aqui estou. Fiz todo o esforço para que em mim houvesse nada além do que é inteiro. O amor foi modificado e eu guardei comigo cada pedaço de (re)construção do meu eu (com e pós você).
    Pra você que me teve de corpo e alma, que me despiu e me permitiu ser tua: eu sou inteiramente grata. Ouvimos outrora que a gente precisa aprender a fechar ciclos e iniciar novos... e aqui estamos. Então, pra você que conseguiu em mim ver luz além do pressuposto, que olhou no meu rosto e prendeu o meu olhar fixo a ti... que me despiu além do palpável: não se esqueça - nunca - que o meu amor continuará a transcender a infinidade dele que eu prometi a você.
    Que mude então tal amor e que permaneça a gratidão pelo todo vivido. Novos ciclos darão início, outros tantos chegarão ao fim... só pra gente recomeçar e nos lembrar que - apesar de tudo - o amor pelos outros se transforma e o que fica é o nosso.


Luiza Abadia

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Desalinho

Foto por: Pinterest
E então, leitor, cá estamos nós outra vez. Achei que demoraria um pouco mais a te escrever, mas parece que as cobranças chegaram mais cedo. Deixei meu caos longe há uns 4 meses e um pouco mais, só que então o sentimento de inutilidade bateu à porta. Aconteceram coisas incríveis nesse intervalo de tempo em que estive bem, peço até desculpas por só voltar aqui quando a dor se instala. A felicidade, ao tomar posse de mim, me transborda e então eu só sinto. Até te contaria agora, mas deixemos pra depois. O momento exato de todo bem eu deixo ser vivido, diferentemente de quando o oposto aparece. Eu não quero viver nada de ruim, então vivencio dividindo tudo com você. Consegue entender o porquê das demoras ao voltar aqui? Como eu disse, esperei até uma demora maior, mas eu já falei uma vez e volto a repetir: o caos é necessário. Ele veio mais cedo porque talvez fosse melhor lidar com tudo agora. Tô começando a entender as idas e vindas. Toda essa confusão tinha de aparecer exatamente assim. Dei uma pausa para os pensamentos controlados e os deixei seguir só. Chega de controle. Chega de dizer o que fazer ou não. No fim das contas tudo acontece no seu tempo. As coisas são como são. Eu prometo contar depois uma infinidade de coisas boas, mas por enquanto deixa eu continuar a dividir o meu caos com você? Espero que deixe. Afinal, se não for você, quem? Deixei todas as vozes ecoarem e me vesti de silêncio. Escuto o grito interno de uma por uma enquanto tento me manter calma. Que bom que está aqui... Assim posso falar, falar e falar. Eu nunca precisei de intervenções, nem dos outros e dos seus palpites. Vou deixar o tempo livre assim como fiz com as vozes do eu. A liberdade precisa alcançar tudo e todos. Um pouco calma, solta e leve... Darei voz ao que me preenche e então que eles arrumem outro lugar para pré julgamentos. Que direito foi dado para tal ação mesmo? Não me lembro. Espero não lembrar para ser livre e o caos fluir como se deve. Fugirei do que não me acrescenta e voltarei a te contar novas sensações. Espero que os sentimentos ruins saibam seguir assim como eu seguirei dizendo que tudo acontece no seu tempo. Outrora, talvez... quem sabe? Não era pra ser. Ou era? Aceitei a condição de deixar tudo seguir. Em (des)alinho, aceitei viver em espera para o que há de vir.


Com amor,            
Luiza.