Pra você que me olhou além do físico, que transbordou a minha alma e me fez renascer sem saber: eu sou inteiramente grata. Grata por nunca precisar de máscaras ou calmantes na sua presença. Eu pude ser fúria, pude ser calma. Eu fui livre suficientemente para que em todos os momentos eu pudesse ser eu. Refutei sentir, mas me deixei livre até o momento em que por inteira você pôde me ter. Eu revidei de novo, os planos eram outros... mas quais planos? Antes de tudo só de angústia eu me consumia, de ansiedade me preenchia, mentalmente corria, mas ir a que lugar mesmo eu conseguiria? Fiquei farta, aflita e em desespero. Descobri assim que algo além nos ampara e faz com que tudo siga mesmo sem uma direção propriamente dita. E então de coração aberto, sem resquícios, só pronta pra te receber, mais de mim eu pude ser. Por mim, por você. Mais de mim também sou, agora, após a sua ida. Cogitei talvez um dia me encontrar menos repartida... e aqui estou. Fiz todo o esforço para que em mim houvesse nada além do que é inteiro. O amor foi modificado e eu guardei comigo cada pedaço de (re)construção do meu eu (com e pós você).
Pra você que me teve de corpo e alma, que me despiu e me permitiu ser tua: eu sou inteiramente grata. Ouvimos outrora que a gente precisa aprender a fechar ciclos e iniciar novos... e aqui estamos. Então, pra você que conseguiu em mim ver luz além do pressuposto, que olhou no meu rosto e prendeu o meu olhar fixo a ti... que me despiu além do palpável: não se esqueça - nunca - que o meu amor continuará a transcender a infinidade dele que eu prometi a você.
Que mude então tal amor e que permaneça a gratidão pelo todo vivido. Novos ciclos darão início, outros tantos chegarão ao fim... só pra gente recomeçar e nos lembrar que - apesar de tudo - o amor pelos outros se transforma e o que fica é o nosso.
Luiza Abadia
Nenhum comentário:
Postar um comentário