domingo, 12 de novembro de 2017

Tua


Foto por: Luiza Abadia
Meu reencontro, meu abrigo e lar. Tu deixa em ti eu morar? Eu esperei o tempo que nos foi proposto
pra realmente te ver. Aguardei no meu caos o destino imposto pra depois então te ter. Eu te quero tanto. Tanto! Eu não sei explicar! Esse rosto, esse corpo,  essa boca e o teu gosto são a junção de tu num tudo que eu jamais quero deixar. Do que eu quero vai além de acordar ao teu lado em todos os meus dias. Quero muito mais de você, de nós e de toda sintonia - que desde o primeiro toque aqui ficou. Tudo bem que tu só pegou a minha mão e encostou, que a gente ali só dançou... mas foi nesse compasso descompassado feito de desencontros que o meu tempo do nada parou. Ignorei tudo que pude ouvir. Silenciei o mundo para que eu pudesse só te sentir. Tu despiu minha alma e desde então eu fui tua. Límpida. Nua. De coração livre pra te receber.
A ansiedade de ir deixou aberta a porta do medo... e ele me invadiu por inteira logo depois. Em silêncio respirei fundo e precisei contar só até dois porque você fez logo um desembaraço. Ai, ai... Tu só me cobriu num abraço e assim tudo se aquietou. Eu soube, desde então, que não haveria mais espaço pra nenhum outro enlaço que não fosse em teus braços, meu amor.



Luiza Abadia

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Diante de tudo...

Ouça durante a leitura:

      Eu fiz rascunhos e rascunhos de como começar a escrever isso. Encaixei os meios aos fins e acho que, depois de tanto tempo evitando, decidi só escrevinhar sem muito esforço o que eu
Foto por: Pinterest
tô sentindo. Eu tenho sonhado com você insistentemente todos os dias, ou pelo menos em quase todos eles. Eu durmo pensando em coisas totalmente diferentes, mas no fundo, em algum momento você aparece ali... rapidinho. Eu não sei sentir pouco, então fico transbordando, transbordando e ainda não aprendi muito bem a lidar.
      Eu também procurei e fiz rascunhos sobre o conteúdo a ser dito desta vez, mas o conteúdo é uma incógnita. Assim como nós sempre fomos. No fim, eu sempre termino falando de saudade, de mim, dos meus sonhos, dessa minha confusão, das minhas fugas e do quanto eu ainda te amo, de uma vez só.
       No último sonho, você apareceu rápido, me entregou uma folha de papel aleatória e, com as suas letras, tinha um texto ali. Eu imaginei, ainda no sonho, que seria algum outro poema traduzido que me entregou sem pretensões... Mas, dessa vez não. "Eu não sou tão bom com textos como você e isso não é uma despedida (...)". Eu ainda não sei se concordo, escrever vai além disso que eu faço aqui. Eu queria que ao abrir minha carteira agora eu pudesse ler e reler tudo o que pude na noite passada e queria, principalmente, que fosse verdadeiro tanto as palavras escritas, quanto o sentimento presente ali do início ao fim. "(...) tenta manter a calma, eu continuarei aqui. Ninguém ainda soube unir recipientes permeados de caos e ninguém ainda soube esvaziá-los gradativamente preenchendo-os de amor. Talvez, infinitos compassos da nossa ópera invisível e inaudível estão por vir. Talvez, não. A verdadeira desarmonia, agora, se faz presente e, mesmo evitando, isso nós já não podemos mudar. Diante de tudo, eu sinto sua falta (e ainda amo você)."
      Eu queria poder dizer que é só mais uma sensação diferente e que essa confusão logo vai passar, mas, não. Eu queria atender às minhas próprias expectativas, mas se nem isso consigo, o que farei? Talvez não encontremos algo tão significativo assim. Talvez só eu não encontre. Mas o que é, afinal, o caminho certo pra quem sempre esteve perdida? Talvez não precisemos encontrar, nem preencher. Nem nada. Se tudo se tornou ainda mais unilateral, que eu saiba lidar com o fim de um ciclo e com a minha desordem. Eu espero que tudo se acerte. Enquanto isso... eu sonho. Diante de tudo, eu sinto sua falta (e ainda amo você).


Luiza Abadia

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Eu posso escrever pra você?

Foto por: Radmylla (https://www.instagram.com/radmylla/)

     Foi algo tão inesperado que fica até complicado tentar explicar. Ela só passou e sorriu. Pronto. Tudo se revirou dentro de mim a partir daí.
Eu acompanhei os passos, olhei em volta e então o meu olhar fixou ali. Nela. É incrível como às vezes surge uma história dentro de mim em questão de segundos e eu preciso escrevê-la, repassá-la... Fechei o livro, peguei a agenda e então escrevi. Rabisquei só uns trechos de como aquele sorriso era encantador e de como eu precisava dele por perto.
As energias boas ecoaram e ela encostou mais. Perguntou se poderia se sentar e eu, assustada, respondi que sim. A cafeteria estava cheia, acho que colocavam menos mesas propositalmente para que houvesse uma maior interação entre as pessoas que ali estavam. Engraçado como eu fui escrever sobre aquele sorriso e ele então vem pra perto de mim. Moço, não sei se você entende essa sensação ou se tá compreendendo o que quero dizer... Ela não perguntou se eu estava bem, de onde eu era ou qual o meu nome, mas sim o que eu estava fazendo. Eu disse que escrevia algumas coisas quando estava inspirada. Ela perguntou se eu estava inspirada naquele momento, eu respondi que, suficientemente, não, mas estava ali. Ela sorriu! Ah... Moço, qualquer inspiração suficiente ficaria sem reação. Assim como eu fiquei. Eu queria escrever sobre ela sem conhecê-la. Queria dizer que a observei no momento em que ela entrou e que aquele sorriso parou o meu tempo por alguns segundos. Então ela me disse que eu provavelmente conquistava a todos com o que escrevo. Ouvir isso foi um misto de entusiasmo com susto. Viu como ela sempre me surpreendia sem pretensões? A graça e toda a luz que ela emitia estava ali, na simplicidade da interação, do sorriso e dos olhos que sorriam pra me encantar mais. Fiz um rebuliço dentro de mim e então ela fez uma cara de quem estava esperando uma resposta para o que foi dito. Eu viajei por um momento...
    - Desculpa, o que você disse?
    - Você deve conquistar a todos com o que escreve.
    E então eu só soube respondê-la numa pergunta:
    - Eu posso escrever pra você?


Luiza Abadia

domingo, 23 de abril de 2017

Entropia imprevisível


Caro leitor,

Foto por: Ana (https://www.instagram.com/anaaplzzzz/)
          essa é só mais uma carta, dentre todas as outras cartas, que eu venho, sem pretensões, te contar algumas coisas. Aquela confusão de outrora, a angústia e todo o caos, persistem... com menos frequência, mas persistem. Parei de anotar as coisas boas, o tempo passa tão rápido que nunca lembro de lembrar o que aconteceu no dia de bom. Crescer não é nada mais que exaustante! Existe essa palavra? Olha, lembra todas as coisas que foram construídas ao longo dos anos? Você nem imagina a facilidade com que tudo se desfez e ainda se desfaz agora. É até surreal, sabe? Você planeja um futuro, organiza sua vida e encaixa pessoas a esse rumo, supostamente longo, sem saber se elas estarão contigo depois. É muito relativo, leitor. Mas falo isso porque, hoje, muito do que eu planejei não se encontra aqui. O caos realmente persiste e acho que continuará a persistir, até porque, segundo meu professor de física, conforme a Segunda Lei da Termodinâmica, tudo tende a ir para um lugar de maior desordem porque requer menos energia, e isso não é tão ruim se levarmos em consideração a teoria do caos. É como uma organização dentro de um fenômeno desorganizado. Confuso, não? Eu não sei te explicar ao certo, é um misto de fatores insignificantes com resultados que podem ser problemáticos, desconhecidos e, principalmente, imprevisíveis. Você deve estar se perguntando o porquê dessa associação, mas é tão simples que a gente nem vê. A imprevisibilidade do caos se associa a quase tudo que nos cerca, principalmente à imprevisibilidade da nossa vida. Ei! Eu não te contei... As teorias das ciências da natureza são fantásticas, mas Literatura continua me encantando mais. Preciso ir, preciso alimentar a minha desordem e já gastei energia mais que suficiente contando tudo isso a você, leitor. Não que você não seja importante, mas já tô tão cansada. Ah! Eu li um pedacinho de "Assim falou Zaratustra" e tem um trecho que também fala sobre o caos. Eu, aqui, tentando organizar tudo dentro de mim e Nietzsche me diz que é preciso caos interior. Tô citando muita gente hoje, né? Desculpa, mas é que a coordenadora do colégio uma vez disse pra eu escrever para então, depois, fixar. Até anotei pra não esquecer. Preciso me lembrar das fontes também... Eu realmente preciso seguir essa linha, tenho uma meta a ser cumprida e te contarei sobre ela depois. Bem depois! Não sei o que virá... Antes de ir, não se esqueça: o caos faz parte de nós, leitor.


Com amor,
...


Luiza Abadia

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Por tudo e mais

Ouça durante a leitura:
Mercury - Sleep at Last

Foto por: Pinterest
Eu passei a semana inteira tentando te escrever, mas quando você decidiu dar um fim, eu já havia dito tudo e nada pude acrescentar. Eu não corri atrás, não fiz nada além de dizer que estava tudo bem e aceitar que, agora, não temos uma melhor opção. As mudanças foram quase que imediatas e eu nem sei como você se sente. Eu penso em tudo que dividimos o tempo todo. Toda a convivência e a rotina de te ter.. Conforme o tempo passa, a dor se ajeita, o vazio se preenche. Gostaria de dizer que a falta que você faz ainda é gritante e que eu precisei - e ainda preciso - de você em incontáveis momentos, mas tudo se tornou estranho demais para que eu pudesse te procurar o tempo todo, porque nada mais tem o mesmo encaixe. Obrigada por cada momento, pelo medo enfrentado a cada intervalo de tempo destinado à nós. Pelo nosso silêncio e voz. Pela fúria e calmaria. Eu sinto sua falta agora e todos os dias. Você foi o melhor... Por tudo e mais.

Luiza Abadia

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ei...


Foto por: Ana (https://www.instagram.com/anaaplzzzz/)
Foto por: Ana (https://www.instagram.com/anaaplzzzz/)
Você jura que não passou por aqui? Eu não mudei nada de lugar, nem troquei a fechadura na espera da sua visita. Sei que entramos num consenso e decidimos, sem briga, nos separar... Você ai, eu aqui. Tudo como deveria ser! Deveria... É inevitável não querer você comigo. Olhando bem, agora, acho que deveríamos ter dado outra chance a nós. Sei que a correria do trabalho e o cansaço dificultava tudo um pouco, mas poderíamos ter avaliado novas mudanças. Não sei... Quem sabe? Eu guardei cada parte do que construímos em mim e levarei um tempo até deixar tudo mais organizado. A casa ainda tem seu cheiro e as lembranças permeiam a sala, o quarto, porão, cozinha e banheiro. Ainda deito do mesmo lado, só que agora idealizo você perto. Não tenho mais a sua serenidade ao me entrelaçar num abraço e me aconchegar até dormir. Enquanto tudo se ajeita, com Chico me Acalanto ( ainda não sei se prefiro na sua voz ou na dele).
Só pra relembrar... Não troquei a fechadura. Se ai estiver como aqui, saiba que tudo tem e requer um pouco de tempo e espaço... Nós ainda temos um pouco dos dois para nos (re)organizar.


Luiza Abadia

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O mesmo amor sereno de outrora

 Ouça durante a leitura:
Foto por: Pinterest

     Eu poderia ancorar meu corpo ao teu por todos os outros dias desse ano, do próximo e do próximo. Eu te envolveria nos meus (a)braços, como agora, e não soltaria. A pouca luz da janela ilumina seu rosto, você sorri e eu já não sei dizer o que me encanta mais. Nunca me importei com o silêncio estando contigo e é esse silêncio que nos invade agora... Deixa eu só ouvir sua respiração e sussurrar o quanto eu te amo (de novo). É o mesmo quarto, a mesma luz apagada, o mesmo céu a nos preencher. O mesmo lençol bagunçado, o cabelo assanhado e o meu jeito de amar você. É o mesmo amor sereno de outrora que, depois de todas as confusões, se ajeitou um pouco melhor aqui, ali e agora. Eu não quero determinar o tempo que ficaremos assim, então esqueça tudo que te aflige aqui e lá fora. Eu sempre estarei aqui.

    Não dorme ainda... eu já disse que te amo hoje?



Luiza Abadia