domingo, 31 de maio de 2015

Mais uma entrega, caso a vida nos dê uma outra oportunidade ao acaso.

Foto por: Tays Gomez (instagram.com/taysgomez)

 
 Ouça durante a leitura:

      Eu deveria ter sido suficiente, mas não sei se quem esteve errada fui eu. Acho que não houve erro. Você precisava arrumar as coisas, não havia meio termo. Eu tive de concordar, não se pode forçar um tudo quando só há nada. Sinto muito, mas não foi fácil assim. Eu precisava de você, daquele amor que parecia verdadeiro, mas nada voltava ao começo. Não havia meio termo, havia fim.
      Eu não me importei se eu estava de pijama e o mesmo era só um blusão velho, rasgado, que batia no meu joelho. Não me importei se meu cabelo estava num rabo de cavalo, ou num coque feito com ele mesmo só para não mantê-lo tão assanhado. Eu me entreguei porque decidi que seria você. Me entreguei porque, em meio a todo tumulto existente em mim, você era a calma, como a brisa de uma manhã ensolarada.
      Tudo se dissipou rapidamente, assim, rapidamente e aos poucos. Não estava disposta a esquecer tudo tão rápido, afinal, foi tudo intenso e coisas intensas são, na maioria das vezes, marcantes. Queria poder dizer que fiquei bem rapidamente, mas não, não fiquei. Você ficaria? Preciso desse seu manual. Foram dias de lembranças. Dias sem saber o que fazer, como fazer. Textos, fotografias, músicas. Um acúmulo de recordações. Mas o que fazer? Esperar. Como dizem por ai, com o tempo certo tudo se ajeita. Nada mais verdadeiro havia de ser dito nesse momento.
      Decidi, por fim, não mantê-lo dono de mim. Mantê-lo anexo, para adicioná-lo quando necessário. O que eu sinto é por você, mas os sentimentos são meus. Soa estranho, mas é assim. Tenho que aprender a ser minha antes de me doar. Todavia, pensei em mais uma entrega, caso a vida nos dê uma outra oportunidade ao acaso.
      Pensei no "se", que sempre esteve presente, diferentemente de você. Preciso confessar que, se essa oportunidade bater à nossa porta, não irei recusar. Eu tenho os meus planos, meus desejos e até palavras jogadas ao vento. Mas aprendi também que, vale muito mais arrepender de ter feito, a não tentar. Ou seja, se o acaso nos encontrar, que voltemos ao começo, que tudo fique bem. Se a vida nos der uma outra oportunidade ao acaso, não o negarei. Não quero e nem vou parar para pensar. Estes segundos serão silenciados, e essa será a minha última entrega.


"Give me reason, but don't give me choice
Cause I'll just make the same mistake again."


Luiza Abadia

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